
VOLTA GRANDE!
Não a capital do
Brasil!
Nem produtora de
petróleo.
Nem terra de
caboclos burros (como é chamada).
Mas terra do
pessoal mais simples e honesto do mundo.
Mas VOLTA GRANDE
amada!
VOLTA GRANDE!
Está dentro do
BRASIL!
Do adorado
BRASIL!
VOLTA GRANDE e
mais nada.
Somente VOLTA
GRANDE
por causa de uma grande volta que faz o rio.
O Rio JAGUNÇO.
Atrás de casa
ficava o Rio Jagunço, onde eu ia brincar.

Os grandes
pastos...
Os animais
bravos...
A mata virgem
onde fazíamos piqueniques.
As grandes
pedras que eu transformava em casinhas
e acomodava minhas bonecas.
Os
“cozinhadinhos” com amigas...
Que nunca saía,
pois o fogo não pegava.

Os cavalos...
Que eu montava escondida.
Caía... Mas,
mesmo machucada,
nunca contava para não levar “broncas”.
O Jipe velho
estacionado na velha garagem de madeira...
Eu transformava
em esconderijo para fumar escondida.
A minha casa...
Amarelinha com
vistas marrom...
A pequena
varanda...
Como brilhava!

E o jardim...
Com rosas vermelhas e copo-de-leite tão brancos...
Que mais parecia
a alma de uma criança depois do batismo.
Minha mãe
costurava meus lindos vestidos...
Com babadinhos e
finas rendinhas.

Eu ficava
radiante!
VOLTA GRANDE!
A Serra Velha...
A Serrinha...
A Areia
Branca...
O Pinhalzinho...
O Morro do
Jordão...
A Fazendinha.
Às vezes eu ia
com meu pai de caminhão buscar madeira...
E ficava
fascinada com as flores do mato.
Subia em árvores
para apanhá-las...
E levava para a
mulher mais amada da Terra:
Minha Mãe!

As enchentes...
Lembro-me de uma
vez,
que o rio atrás de minha casa encheu tanto,
Que levou a
ponte.
Meu Pai tinha
ficado do outro lado do rio.
Não podia voltar
para casa.
Para conseguir
chegar em casa naquela mesma noite...
Teve que fazer
uma GRANDE VOLTA.
VOLTA GRANDE!
A Igrejinha no
centro da vila...
Bem pertinho de
minha casa.
O sino do lado
de fora...
Gregório
Kestring me chamava correndo...
Antes da Missa,
do terço ou das novenas...
Para bater o
velho sino.

E quando
dormia... Tranqüila sonhando...
Alguém lá em
casa... Na porta batia.
-
A senhora podia
chamar sua filha para bater o sino?
O Paulinho morreu!
E lágrimas
rolavam da face de Aninha.
Saí correndo
para bater o sino.
Dez badaladas
indicavam a morte.
E todos sabiam
que era Paulinho.
Doente há tempo,
pobre menino...
Nem sequer a
vida conheceu!
Oh!!! Meu Deus,
por quê fez isso?
Eu não
compreendia...
VOLTA GRANDE!
Meu Professor
que me dera aula...
Do primeiro ao
quarto ano primário...
Dele hoje lembro
com muito carinho.
Levava-nos ao
rio batizar as bonecas.
Como eram
bonitos os nomes das minhas:
Cristina,
Clarisse e Karina.
VOLTA GRANDE!
Os mexericos...
Como era gostoso
ouvir o povo falar:
“- Cê sabia qui
a fia du Juão Martins
ta namorandu cá fía du Osvardu?”
E a notícia corria. Em poucos
minutos todos sabiam.
“-Hoji aconteceu uma disgraça cá fia
da minha vizinha Maria.”
“-Num inróla muié, diz logu o qui
foi.”
“- Apanho du maridu.”
“- Mais pur quê?”
“- Tava dandu bola pru motorista du
caminhão du seu Juão”
“- Num possu acreditá.”
“- To ti falandu. Vi cum essis zóios
aqui.
I qui Deus mi tiri si tive mintindu.”
VOLTA GRANDE!
Quanta saudade!!!
O Padre Francisco...
Padre Chico.
Foi ele que me deu a primeira
comunhão.

Hoje está morto.
Depois veio outro padre:
Francisco também.
Padre Chico, o mesmo apelido.
Era tão bravo.
Com saia curta ou calça comprida,
mulher não entrava na igreja.
VOLTA GRANDE!
Terra boa...
Terra simples...
Terra honesta... De pessoas
honestas.
Terra que aprendi a amar...
Terra que aprendi a valorizar...
VOLTA GRANDE!
Quando eu puder, volto para lá!
