Você me ilude
Acaricia o meu ego.
Mas não me convence.
Não sou cego
Lá em casa
Num velho canto
Um velho espelho
Me diz a verdade:
― Velho
Você está velho!
Discuto com ele
Às vezes retruco
Mas ele insiste:
Velho.
Você está velho!
Velho e carente!
Tento contestar
Não sou demente
Sei que estou velho
E daí?
Mas vivo
Sonho.
Respiro.
E você velho espelho
Imóvel
Nem imagem tem
Vive da imagem dos outros
Escancara as rugas
E as dobras alheias
Duro
Cruel
Pedaço de fel.
Um dia te quebrarei em pedaços
Carrasco do tempo humano
Você e as horas que passam
São os verdugos da felicidade
Tentam tirar de mim
A esperança
Tentam afastar a criança
Que ainda carrego
Seu velho malvado
Não sou cego.
Apago a luz
E você some...
Some...
Some...
 

***
SP/30/09/05

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