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FÚLVIO PRETTI
Deixar o dito pelo não dito, quem há de,
Se no verso da medalha se busca,
Pelos cunhos, decifrar a deidade,
Se Síria, se romana, grega ou etrusca?
Bem melhor em tal desidério seria
Deixar à Delfos a velha procura,
Que à pitonisa sem olhos, malomba e fria
Qual baba longa na coma da loucura.
Se as bruma que encobrem a vista,
Não se dissiparem ao sopro da ciência,
Se as pedras, que dos montes a crista
Enfeitam, caírem sobre a adolescência,
Não há que rugir nem uivar a conquista,
Pois aqui, no fundo, se ergue a demência.
No cordel do tempo que passa entre as mãos,
Levando anéis e os sonhos também,
Pairam os nós dos dias longos e vãos,
Inúteis aqui, mas valioso no além.
No além do tempo inesgotável e nos desvãos
Que se metem insanos, mas insânia não têm.
Da medalha a cunhada esfinge já se apaga
Pelo pó, passar do tempo e manuseio...
Não mais se tange a flauta cujo som afaga
Nem se dança cálido no festim de permeio,
Busca-se tão somente brandir a adaga
Que a vida ceifa como no campo o centeio...
Quero debruçar-me à luz difusa,
Quero vislumbrar a foice erguida.
Não quero dela qualquer escusa
Pelo tempo ido na luta concorrida.
Vejo, de longe, a tarefa insana,
A peste, a guerra e a ideologia.
Por mais que no fundo a vida emane,
Quero sorver outras na noite fria.
Longe, bem longe, a névoa estranha
Desenha imagens amarelas.
Sem desejo, sem voto e artimanha.
Aos demais, as formas são singelas.
Aos demais, até parece tacanha
A grandeza da morte na janela...
Vem, vem comigo!
Entra nesse mar que é só meu!
Corta as amarras que te prendem
Atada a esse porto que é só teu.
Lança às águas turvas que te cercam
As últimas lembranças que são tuas...
Canta o adeus que teu peito oprime,
Iça as velas das lágrimas nuas.
Anda. Vem ao mar que é meu!
Deixa que te ampare na jornada.
Anda. Vem ao mar que é meu!
Sente a brisa cálida do desejo
Envolver nossos corpos desenhados.
Vem! Vem comigo!
Anda! Vem ao mar que é meu!

Homenagem Póstuma
Fúlvio Pretti
FÚLVIO PRETTI, nasceu em RODEIO, SC e bebê
veio morar em TAIÓ-SC onde sua família
passou a viver. Ainda menino foi estudar
em colégios internos, vindo a se formar em
DIREITO e voltando a TAIÓ onde atuou como
o primeiro ADVOGADO da cidade. Como JUIZ
DE DIREITO DO ESTADO DE SANTA CATARINA,
morou em diversas cidade.
Homem culto, de uma educação e gentileza
inominável, amigo de todas as horas...
Faleceu em junho de 2003. Deixou um vazio
na Família, no Judiciário e em toda a
Comunidade.
Minha singela mas sincera homenagem...
Sua cunhada...
Marilene Mees Pretti.
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