Marilene Mees Pretti


 


Naquela casa...

 Não tinha nada...

Nem as paredes...

 Eram pintadas.

Era de madeira...

De pau a pique...

O fogão a lenha...

Lá crepitava.

Lá na cozinha...

Dependuradas...

Tinha panelas...

Como brilhavam!

Tinha três quartos...

Móveis bem parcos...

Mas de madeira...

Formando arcos.

Uma limpeza...

Inigualável...

E sobre a mesa...

Água potável.

E lá na rua...

Uma cerquinha...

De madeirinha...

Bem pregadinha.

Tinha também...

Enorme varal...

E dependurados...

Brancos lençóis.

Naquela casa...

Morava uma família...

Pai... Mãe e seis filhas.

Tinha mocinha...

Adolescente...

Também criancinha...

E a bebezinha.

O pai saia...

De manhãzinha...

Para o trabalho lá na cidade.

As duas mais velhas...

Também saiam...

 E trabalhavam...

Por necessidade.

Mas à noitinha...

Todos voltavam...

 Já bem cansados...

Mas animados.

O pai pegava...

O violão...

E dedilhava uma canção.

E as meninas...

 Bem afinadas...

Acompanhavam...

 Cantando o refrão.

Enquanto isso...

 A mãe feliz...

Fazia a janta...

 Lá no fogão.

Naquela casa...

 Não tinha nada...

Mas tinha tanto...

Nem sabem o quanto!

Eles tinham tudo...

 Que precisavam.

Tinham uma vida...

Familiar...

Um grande amor...

A compartilhar.

Felicidade para espalhar...

E esperança...

 De melhorar.

 


01/04/05

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