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Não tenho tempo...
O tempo se esvai como
areia entre as mãos.
Sento-me para digitar um
texto...
E a memória... Com o
tempo...
O deletou do pensamento.
Olhos parados...
Olhando nada...
Procurando tudo...
Tudo que havia pensado.
Estava o texto
elaborado...
Na mente sonhadora...
Do escravo da palavra.
O tempo surgiu...
Passou depressa...
Cheio de controvérsias...
Na vida incerta...
Nos caminhos escuros...
Escondendo-se atrás de
muros.
Não tenho tempo...
Ele se foi com o vento...
O vento sul...
Dos pampas...
Vento Minuano...
Do meu vizinho...
Rio Grande do Sul.
O tempo me falta...
Não encontro tempo.
A mente funcionando como
uma engrenagem...
Juntando palavras...
Fazendo montagens...
E quando paro para
transcrevê-la...
Foi-se a idéia...
Esperada pela platéia.
Levada pelo vento.
A mente gravando
contextos...
Que surgem do nada...
De tudo...
Que sinto... Que vejo.
A memória trapaceando...
Talvez se apagando...
Como uma vela ao
relento...
Que se apaga com a carícia
do vento...
Mesmo que lhe afague
lento.
Não encontro o tempo...
Que foi com o vento...
Roubando o contexto...
Gravado em relevo...
Num breve momento...
No meu pensamento.
A falta de tempo...
Rouba toda a criação do
texto...
Apaga os versos já
feitos...
Que a mente já não
lembra...
Para grifar para a
eternidade...
Ou para reler...
Quando bater a saudade.
Faz tempo...
O texto...
O contexto...
Apagou-se da mente.
O pensamento... Sonho...
Esperança...
Restou um nada...
Do que era tudo.
Deixando o poeta mudo...
Os dedos no teclado
travados.
Foi-se o tempo...
Levado pelo vento.
E restou tanto tempo...
Para nada fazer.
Tempo ingrato!
Mas lhe sou grato...
Pelo tempo que me deu.
Hoje entendo...
Tempo e Tempo!
Vai com o vento...
Não volta mais.
Fica outro tempo...
Tomando o tempo...
Do tempo que se foi.


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