Marilene Mees Pretti



 




Não tenho tempo...

O tempo se esvai como areia entre as mãos.

Sento-me para digitar um texto...

E a memória... Com o tempo...

O deletou do pensamento.

 

Olhos parados...

Olhando nada...

Procurando tudo...

Tudo que havia pensado.

Estava o texto elaborado...

Na mente sonhadora...

Do escravo da palavra.

 

O tempo surgiu...

Passou depressa...

Cheio de controvérsias...

Na vida incerta...

Nos caminhos escuros...

Escondendo-se atrás de muros.

 

Não tenho tempo...

Ele se foi com o vento...

O vento sul...

Dos pampas...

Vento Minuano...

Do meu vizinho...

Rio Grande do Sul.

 

O tempo me falta...

Não encontro tempo.

A mente funcionando como uma engrenagem...

Juntando palavras...

Fazendo montagens...

E quando paro para transcrevê-la...

Foi-se a idéia...

Esperada pela platéia.

Levada pelo vento.

 

A mente gravando contextos...

Que surgem do nada...

De tudo...

Que sinto... Que vejo.

A memória trapaceando...

Talvez se apagando...

Como uma vela ao relento...

Que se apaga com a carícia do vento...

Mesmo que lhe afague lento.

 

Não encontro o tempo...

Que foi com o vento...

Roubando o contexto...

Gravado em relevo...

Num breve momento...

No meu pensamento.

 

A falta de tempo...

Rouba toda a criação do texto...

Apaga os versos já feitos...

Que a mente já não lembra...

Para grifar para a eternidade...

Ou para reler...

Quando bater a saudade.

 

Faz tempo...

O texto...

O contexto...

Apagou-se da mente.

O pensamento... Sonho... Esperança...

Restou um nada...

Do que era tudo.

Deixando o poeta mudo...

Os dedos no teclado travados.

 

Foi-se o tempo...

Levado pelo vento.

E restou tanto tempo...

Para nada fazer.

Tempo ingrato!

Mas lhe sou grato...

Pelo tempo que me deu.

Hoje entendo...

Tempo e Tempo!

Vai com o vento...

Não volta mais.

 

Fica outro tempo...

Tomando o tempo...

Do tempo que se foi.




 


27/03/2005