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O
que escrevo
Não
posso chamar poesia
São
apenas pensamentos
Sentimentos de momento
Que
a mente exila
E
caem no papel
Branco ou pautado
De
embrulho ou guardanapo
Com
grifos gráficos
Rasgados do coração
Saindo às vezes sangrando
Outras vezes sonhando
Ou
apenas descrevendo
Ironizando
Sorrindo
Dançando
Debochando
Imitando
Chorando
Saem
sem endereço
E
viajam sem bagagem
Não
ponho preço
Pois
ninguém pagaria
Não
teriam nenhuma vantagem.
São
guardados grifados
Que
talvez sejam herdados
Por
meus descendentes
Pois
é só o que tenho
Para
deixar de presente.

05/09/05
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