Numa grande capital
brasileira...
Trabalhava como
comprador de ouro...
Exercício ilícito...
Mas ele não dava bandeira...
Um cidadão experto...
Acostumado a tesouros.
De nome Venâncio...
Grande aventureiro.
Comparecia todo o dia
no centro da grande cidade...
No décimo quinto andar
de um antigo prédio.
Esperava ali seus
clientes...
Homens e mulheres de variadas idades.
Cada qual com um
problema...
E tendo que se
desfazer de seus bens sem remédio.
Venâncio comprava as
jóias...
E para pagar usava até
certo bom senso.
Mulheres
endividadas... Homens doentes...
Ele avaliava e tinha
nobres sentimentos.
Mas sabia...
Reconhecia quando adentrava em seu estabelecimento...
O cidadão que não era
dono da mercadoria.
Sabia pela maneira de
agir...
Que o meliante era ladrão.
Que seu produto era
fruto de roubo.
E nestes casos... Ao
avaliar a mercadoria...
Usava uma tática
diferente... Que mais lucro lhe traria.
Certa vez... Recebeu
um cidadão apavorado...
Muito apressado...
Com grande quantia de
jóias.
Das mais valiosas e
lindas que jamais vira.
Pensou então no antigo
ditado:
“LADRÃO QUE ROUBA
LADRÃO,
TEM CEM ANOS DE PERDÃO”.
Espalharam a
mercadoria sobre sua
enorme mesa de mármore...
E Venâncio começou a
avaliar peça por peça.
Dividia em dois
grupos, na frente do cliente:
Jóia... Bijuteria...
Jóia... Bijuteria...
Jóia... Bijuteria...
Jóia... Bijuteria...
Estavam as bijuterias
(que na realidade eram as mais puras jóias)
em frente ao vendedor.
Este, nervoso e muito
apressado...
Disse com muito ódio:
Droga, tanto trabalho e risco
para nada.
Juntou o monte de
bijuterias...
E jogou pela janela do
décimo quinto andar.
Choveu jóia na
avenida.
Venâncio ficou com
vontade de pular atrás...
Ao olhar pela janela,
viu o povo juntando tudo...
Incrédulo.
Nada pode fazer.
Pagou ao ladrão as
jóias que restavam...
E ao ficar sozinho na
sala...
Deitou a cabeça no
gelado mármore da mesa...
E CHOROU!
Chorou copiosamente.
Como uma criança que
acabara de perder seu brinquedo preferido.
Ao se acalmar...
Levantou a cabeça e
disse a si mesmo:
LADRÃO QUE ROUBA
LADRÃO
ARRUMA UMA BELA CONFUSÃO.
MORAL DA HISTÓRIA:
Quem faz a Justiça, condena ou perdoa,
é somente DEUS.
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