MARILENE MEES PRETTI

 

 

Desde menina ouço minha mãe contar...

Histórias de minha bisavó, Luisa...

Mãe de meu avô materno.

Conta minha mãe...

Que ela era, para a época...

E para as condições em que viviam...

No interior de um pequeno município catarinense...

Uma mulher ESPECIAL.

Não sei de que maneira, pois era raríssimo naquelas bandas...

Ela sabia ler.

E lia tudo que encontrava pela frente.

Jornais, que eram usados para embrulhos...

Revistas e livros que conseguia emprestados.

Então... Contava muitas histórias aos netos.

À noite, sem luz elétrica...

Com uma lamparina a querosene acesa...

Sentava-se a mesa da cozinha...

Com todos os netos ao redor.
 

O fogão a lenha crepitava calor e um pouco mais de claridade...

E ela se deliciava contando histórias por horas a fio.

E minha mãe conta-nos sempre...

Que certa vez ela encontrou uma folha de jornal...

Onde havia uma receita de Bolo de Fubá.

Ela resolveu fazer o Bolo.

Após seus afazeres terminados na roça...

E também os trabalhos domésticos...

Ensacou o milho que havia colhido...

E foi para a vila onde havia uma atafona...

Em que transformava seu milho em farinha.

Com este ingrediente ela fazia uma maravilhosa polenta...

E também pães deliciosos.
 

Como já estava indo para a vila
e junto a atafona ficava uma venda...

(assim chamavam o comércio que vendia de tudo:
desde comida, tecido, tamancos etc...)

Aproveitaria para comprar o ingrediente
que faltava para o Bolo de Fubá.

E a única coisa mesmo que lhe faltava era o tal Fubá.

Já negociando com o atafoneiro, os quilos de milho que trouxera...

Com os de farinha que estava levando...

Pediu ao velho senhor que lhe vendesse um quilo de Fubá.

O dono da venda sorriu ingênua e gentilmente...

E lhe disse que ela já estava levando Fubá para casa.

E não um quilo como queria...

Mas os quinze quilos que ela já carregava nas costas...

Além de se chamar farinha de milho...

Também se chamava Fubá.
 

Minha mãe conta...

Que bisavó Luisa contava essa história e ria de si mesma.

E falava que aquele dia havia aprendido mais uma coisa.

E assim era minha bisavó...

Uma mulher alegre... Que trabalhava incansavelmente...

Mas que estava sempre buscando aprender...

E fazia de cada caso da vida...

Um motivo para contar uma nova história.

Enfim...

Uma MULHER ESPECIAL.
 

 

 16/01/05

 

 

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