|
Nossos poemas são
nossos filhos...
Cada verso uma
gestação.
Rebentos vindo do
exílio...
Escondidos no
coração.
Geramos filhos
parecidos...
Mas todos com
diferenças.
Filhos com zelo
mantidos...
Com diferentes
experiências.
Filhos nervosos...
Pacientes.
Filhos omissos...
Amorosos.
Filhos carentes...
Orgulhosos.
Todos filhos
diferentes.
Perguntam-nos qual
o preferido?
Prontamente
respondemos:
Não temos nenhum
preterido.
Muito amor por
todos temos.
Temos os filhos
adorados...
Os que temos
publicados.
Temos também os
bastardos...
Os guardamos
isolados.
Esses... Os
bastardos geramos...
E é para nós que
guardamos.
Com sete chaves
trancamos...
No futuro talvez...
Revelamos.
Os legítimos nós
mostramos...
A todos os
exibimos...
Desnudam um pouco
do que somos...
Mas um pouco
omitimos.
A transparência
mais límpida...
De tudo que não é
mostrado...
Está no filho
bastardo...
Aquele que temos
guardado.
Um dia... Sem mais
segredo...
Quando a terra nos
tiver coberto...
Herdeiros revelarão
sem medo...
Nossos bastardos...
Por certo.
Quando este dia
chegar...
Conhecerão nossa
essência.
Aparecerão nossas
demências...
Nossas fraquezas...
Carências...
De nossa pobre
existência.

27/03/2005
|