Dentro de mim viveu uma menina

Cheia de sonhos... De fantasias.

Eram sonhos parcos

Fantasias pobres

Do tamanho do mundo em que vivia.

 

Conheci a mais límpida alegria

E o mais doloroso desalento

Não somente pelo que vivi

Mas principalmente pelo que vi.

 

Uma rica e intensa vida

No meio mais pobre e vazia existência.

 

Vi a impotência da falta de esperança

E vi esbanjamento diante da bonança.

 

Vi nascer crianças

E depois morrer.

 

Não senti, mas vi a fome.

Vi corpos enregelados no inverno

E suando em bicas no verão

Para levar para casa

Míseros pedaços de pão.

 

Ouvi o som da sanfona

E a voz melodiosa do jagunço

Entoando apaixonado para sua madona

A mais bela canção do mundo.

 

Vi o homem destruir a natureza

Mas tive tempo de ver toda a beleza

De árvores centenárias

Transcendendo nas alturas.

 

Vi o pássaro construir seu ninho

Trazendo alimento para o filhotinho.

 

Vi o rio transbordar durante a tempestade

E levar a ponte que deixou saudade.

 

Vi homens matando homens

Com punhais na mão

Sem real razão.

 

Vi a louca Sebastiana

Rodando pelo paiol

E depois carregada na carroça

Rumo ao hospício

Assim que raiou o sol.

 

Vi lágrimas de alegria

Vi as de tristeza

Vi gente vazia

E outras cheias de beleza.

 

A menina que viveu em mim

Já não vive mais.

Apenas deixou uma herança

Cicatrizando a esperança.

 

E meus sonhos parcos

Minhas pobres fantasias

Do tempo de menina

Nunca se realizaram.

 

 

01/02/07

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