Olho-me no espelho 
E meus olhos embaçam
De nuvens melancólicas
Numa imagem bucólica
De mim em duplicidade.

Vejo-me floresta
Vejo-me cidade.
Enxergo-me fria
Enxergo-me fervente.
Sinto-me triste
Sinto-me contente.

Sou cálice vazio
Do bom vinho envelhecido,
E sou a uva na parreira
Em cachos amadurecidos.

Sou sol escaldante
No céu azulado.
Sou dia nublado
De calor fatigante.

Sou pedra em sono eterno
Do verão ao inverno.
E arvoredo acordado
Batendo no telhado.

Sou brado silencioso
E sou silêncio bradado.
Sou lágrimas de sangue
E banhado do mangue.

Sou símbolo
Da tragédia.
Sou risos
Da comédia.

Sou o emblema
Do tudo e do nada.
Eu sou comigo uma dupla.
Nós duas não temos culpa.

Temos almas diferentes
Não são univitelinas.

São almas ladinas
Traquinas
Que vivem abandonando a gente.

22/03/06

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