Marilene Mees Pretti
 

Olho distraída a estrada...

Tropeço então na calçada...

Finjo não ouvir a caçoada...

Mas ouço do carro a buzinada.

 

Tomo novamente o prumo...

Sigo altivamente o rumo...

Embora no íntimo eu durmo...

Cansada com o fim do turno.

 

Ouço alguns galanteios...
Jogo os longos cabelos...

Ajeito a saia nos joelhos...

E acerto a blusa nos seios.

 

Dos saltos uma rebolada...

Embora estabanada...

Surpresa com a cantada...

Achava-me não mais cobiçada.

 

Volto feliz para casa...

Sentindo coração em brasa.

Pensando que não mais causava...

Nos homens, o instinto de caçada.

14/04/05