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Velho casarão na enchente de 1959 - Fachada
da frente |
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Fachada dos fundos |

MARILENE MEES PRETTI

O casarão foi construído em
1937, em estilo italiano, no centro da cidade
desbravada por estrangeiros.
Foram usados tijolos maciços, colocados atravessados, de modo que as paredes
ficassem bem reforçadas.
Acima do segundo andar, que se alcançava por uma estreita escada de madeira de
lei, tinha ainda um sótão, onde do telhado em estilo bangalô, ressaltava
janelinhas cobertas por telhas.
A família que a construiu morava ali com seus
10 filhos, e mais seus agregados,
pois eram comerciantes. Na “venda” comercializava-se de tudo: tecidos, calçados,
linhas e aviamentos, todo tipo de ferramenta para a agricultura e carpintaria
além de alimentos diversos. Tinham atrás da casa um abatedouro e vendiam carne e
embutidos por eles mesmos fabricados.
Tanto era o trabalho, que tinham muitos empregados, e na época era costume que
morassem junto com os patrões.
Os empregados então dormiam no segundo pavimento, e o casal com os filhos na
parte de baixo, onde também funcionava o comércio, que tinha
16 metros frente.
Na época girava pouco dinheiro, e a maior parte da comercialização era feita na
base da permuta: Fumo em corda por arroz, porcos e galinhas por material de
construção etc...
Quando os colonos não tinham dinheiro para comprar, o proprietário marcava num
livro preto, até que na próxima safra ele viesse pagar. Assim funcionava. Um
grande comércio para a pequena cidade.
Como acontece nos dias de hoje, naquela época também se tinha prejuízos, contas
perdidas etc...
Os livros pretos apresentavam vários nomes em débito com o proprietário.
Houve uma época, em que o casal agora morando com alguns filhos, pois outros
estavam estudando em colégios internos, e morando também com todos os
empregados, ouviam na parte da frente do casarão, onde funcionava o comércio e
pelos corredores enormes, feitos de taboas brilhantes de madeira de lei,
arrastar de chinelos, passos vagarosos e livros sendo folhados. Até mesmo os
empregados que dormiam na parte superior ouviam, e desciam todos assustados
juntando-se a família.
Ninguém mais queria dormir na parte superior. O casal, munido de lamparina a
querosene (não existia energia elétrica na época na cidade) e acompanhado de
alguns empregados mais corajosos iam até a parte da frente do casarão, onde
funcionava o comércio e de onde vinham os ruídos e nada viam. Tudo estava
perfeitamente normal. Esse fato ocorreu por algum tempo, todas as noites. A
chegada da noite era um tormento para quem ali residia. E todos, sem exceção
ouviam.
O casal de muita fé resolveu procurar um Padre. E foram à região serrana, a
procura de um famoso FREI HUGOLINO.
Ao serem atendidos pelo velho FREI, relataram o fato em minúcias e receberam o
seguinte conselho: Que pegassem os livros pretos e riscassem os nomes dos
devedores que já tivessem morrido. E que orassem muito pelas almas dos mesmos.
Assim fizeram durante uma noite inteira. Depois de riscarem os nomes dos
falecidos do livro preto, ficaram todos juntos orando.
Depois dessa noite, nunca mais se ouviu qualquer barulho estranho no casarão,
que está de pé até hoje.
Acredite se quiser. Essa história eu ouvi durante muitos anos, e de pessoas que
viveram o fato e que merecem todo o meu crédito.
05/03/2005

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