MARILENE MEES PRETTI


Era uma vez uma jovem senhora, casada e mãe de dois filhos, que nem se achava senhora, acreditando ser mocinha.

Somente se dava conta da força implacável do tempo, quando para conversar com os filhos tinha que olhar para cima, tanto haviam crescido.

Passava por um período conturbado, recuperando-se de um acidente de carro, em que havia quebrado a terceira vértebra lombar e o braço direito.

Depois de várias operações, titânios, platinas, parafusos e um ano e meio de convalescença, abateu-lhe uma terrível depressão.

Nada a tirava do abismo. Tudo que lhe dava prazer antes, já não lhe fazia sentido.

Tanto reclamara anteriormente, da falta de tempo para leituras, sua grande paixão, para escrever, coisa que fazia desde a adolescência, agora com todo o tempo do mundo, não tinha o menor valor. Havia se entregado às trevas.

Ela, que adorava ajeitar a casa, decorava com carinho, cuidava do jardim impecável, usando criatividade. Ela que adora as sextas feiras, quando preparava tudo para o final de semana. Ia ao mercado fazer compras, voltava e guardava cada coisa em seu lugar. Que prazer isso lhe dava.

Agora nada mais fazia sentido. Ao acordar de manhã, num horroroso colete, feito de plástico de cadeira de varanda, como ela sempre dizia, o braço engessado por sete meses, saia da cama do quarto e ia para a sala, onde havia instalado outra cama.

Essa era sua rotina. Por mais de ano. Também sofrera dissabores sentimentais. Sentia-se desprezada, fora traída, mal amada, incompreendida.

O colete foi desde o primeiro dia, quando lhe colocaram, seu maior desgosto. Havia lhe tirado um tesouro: A feminilidade, dantes cultivada como ouro.

Entregou-se para “as camas”, para a tristeza, e para os choros.

Nada lhe fazia ajudar-se.

Odiava receber visitas, não queria nem visitas da mãe, dos irmãos, dos amigos...

Chegava a esconder-se muitas vezes quando via que alguém vinha lhe ver.

Um dia sua irmã foi à sua casa. Sentou-se a seu lado na cama da sala, e lhe ouviu desabafar. Chorou copiosamente. Sua irmã lhe acompanhou. Ao se acalmarem, sua irmã lhe falou:

Olhe, vou lhe dizer uma coisa: Fisicamente você está bem. Só falta tirar o colete e o tempo chegará. (foram 10 meses) Com a fisioterapia que você está fazendo, vai recuperar todos os movimentos do braço. Sabe disso! Mas precisa se ajudar. Para começar, vá você fazer as compras na sexta feira. Tire essa cama da sala. Não precisa mais dela. E saia de casa. Você pode. Apesar de estar com o braço imobilizado, consegue até dirigir. Saia um pouco. Vá ver gente.

E vou lhe dizer mais uma coisa: repita sempre a você mesma, todos os dias, todas as horas, sempre que fraquejar: ME AGUARDEM! Sairei desta e voltarei melhor que era antes. Mas não esqueça: repita, repita e repita: ME AGUARDEM!

Mas não esqueça de agir também. Volte para a vida.

Foi difícil. Como foi! A primeira coisa que fez foi fazer compras na sexta feira. Voltou chorando desesperadamente, sem forças para guardar nada.

Tirou a cama da sala, e quando ao levantar de manhã não tinha onde deitar, obrigava-se a sentar nos sofás e fazer caminhadas pelos jardins agora abandonados, ao redor da piscina... E chorava... Como chorava!

Mas repetia como uma oração: ME AGUARDEM! ME AGUARDEM! ME AGURDEM!

Junto orava sempre, pedindo forças a DEUS.

O tempo foi passando, o braço que ela sempre dizia a fisioterapeuta que queria apenas os movimentos que lhe permitissem fazer o Sinal da Cruz e amarar os cabelos semilongos, tanto era o calor, já fazia todos os movimentos.

Chegara o dia de tirar o colete. Foi como voltar a ser MULHER.

Continuava repetindo: ME AGUARDEM! Ainda precisava de forças. E orava.

Aos poucos foi recuperando a auto-estima, perdeu o peso que ganhara com tanto soro e medicação, voltara a vaidade feminina, benéfica, sem exageros. E reapareceu para a Vida.

Voltou ao trabalho. Imaginem! O médico havia lhe dito que nunca mais poderia pegar uma vassoura e varrer.E já estava até cuidando do jardim (claro que com a ajuda de outra pessoa). Tudo voltou a brilhar. Voltou a amar a casa, o jardim, as pessoas, a VIDA.

E agradece sempre a DEUS, ao médico, e àquele Anjo que DEUS lhe enviou a sua casa naquela horrível tarde tão lindamente ensolarada, na forma de sua irmã, que lhe proferiu as palavras certas, na hora certa.

E jamais esqueceu a frase: ME AGUARDEM!

Continua repetindo-a até hoje. Leva a vida tentando trilhar o caminho do bem, tem sonhos, planos, vontade de viver.

E quem AGUARDAR... Há de vê-la vencer.

Esta é uma homenagem que presto a minha irmã MARILANDI MEES FARACO, o Anjo das palavras certas... Na hora certa.

Mulher linda, por dentro e por fora.

Sensata! Pensa sempre antes de falar (coisas que normalmente não faço)

Equilibrada! Ponderada. Amorosa. Esposa maravilhosa. Mãe devotada. Filha dedicada e uma irmã MUITO AMADA!

Obrigada MARI. Que Deus lhe permita ser sempre feliz. Você merece.
 

Marilene Mees Pretti
11/03/2005

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