|

Chamaste-me de onça...
Tamanha crueldade.
Vivo sonhando somente com a bonança...
Só quero encontrar felicidade.
Comparaste-me a um selvagem bravo...
Senti-me extremamente insensível.
Só procuro coragem para soltar meu brado...
E seguir por esse mundo inextinguível.
Sutilmente me falaste verdades...
Que de mim mesma, eu escondia.
Subitamente senti saudades...
Da infância por onde livre eu corria.
Dolorida verdade ouviu de sua boca...
As quais eu não queria admitir.
Mesmo me sentindo por dentro oca...
Aceitando-as... Tentarei meus defeitos banir.
E... Moldando-me, bem de mansinho...
Estou certa de poder mudar.
Afugentar a Onça...
Transformando-a num gatinho...
Pacato e quietinho... Só a ronronar.
E o felino de grande ferocidade...
Transformar-se-á num amigo relevante.
A bramar constantemente de felicidade...
Deixando para trás o furor do
selvagem amedrontante.
Transformado o felino... Doravante domesticado...
Manso e companheiro... Como um cão fiel...
Terás durante toda a vida a teu lado...
A constância das abelhas... Fabricando mel.

27/11/2004
|