MARILENE MEES PRETTI
 


 

 

Vivia num lugarejo distante...

Um cidadão de nome João.

Tido no lugar como valente...

Dono e senhor da região.

Certo dia João estava na mata...

E encontrou seu maior inimigo: Manuel.

Traiçoeiramente o fez seu prisioneiro...

E o outro em suas mãos tornou-se réu.

Ameaçando matar Manuel...

João armado de um punhal...

Ouvia os pedidos de clemência...

Manuel rogava que lhe poupasse de coisa tal.

Mas João era impiedoso...

E como algoz... Torturava o pobre homem.

Este lhe implorava em nome de Deus...

Que lhe deixasse...
Para que os filhos não passassem fome.

Diante das negativas de João...

Manuel usava de todos os artifícios.

Dizia que alguém veria...

E que ele acabaria pagando aquele malefício.

João nada temia...

E dizia a Manuel que ninguém jamais saberia.

Encontravam-se somente os dois na mata.

Seus gritos por piedade ninguém ouviria.

Manuel em ultima tentativa...

Já sentindo o fio do punhal e cheio de pavor...

Disse que tinha sim uma testemunha...

Que aquela LUA cheia e clara...

Um dia testemunharia a seu favor.

João sorriu sarcasticamente...

Dizendo que a LUA não falava...

Portando não poderia testemunhar nada...

A LUA no máximo observava.

Mas Manuel com toda fé...

Profetizou que a LUA testemunharia.

Tinha certeza que algum dia...

Todo aquele brilho, aquele fato revelaria.

E Manuel sentiu o punhal rasgar seu coração...

Um gemido monstruoso soou naqueles confins...

Manuel ainda fez uma oração...

Para que seus filhos não tivessem o mesmo fim.

Passaram-se dias...

Meses... Anos se foram.

Certo dia João conheceu uma linda mulher.

E por ela caiu de paixão.

Casaram-se e eram felizes...

Viviam naqueles confins perdido do mundo.

Onde vizinhos só se encontravam...

A léguas de distância.

Dois filhos vieram...

A felicidade era completa.

João vivia do que plantava...

E do gado que criava.

Quando chegava a noite...

Ao chegar em casa cansado...

 Costumava sentar-se à porta...

Onde havia uma escada de poucos degraus.

Sua esposa sempre o acompanhava.

Tomavam chimarrão e conversavam.

Certo dia João olhava a bela LUA cheia.

E Clarisse... Sua esposa...

Estranhou seu sorriso.

Jamais vira João sorrir assim.

Então lhe perguntou do que sorria?

João não quis revelar...

Mas Clarisse exercia certo poder sobre ele...

Tanto era o amor que sentia por ela.

Depois de um pouco de insistência...

João contou a esposa àquela história.

Clarisse ficou amargurada...

Mas não deixou que João percebesse.

Esperou que ele fosse deitar...

Certificou-se que dormia profundamente...

Encilhou seu cavalo e partiu.

Ao chegar a primeira diligência policial...

Revelou tudo o que ficara sabendo.

Antes mesmo que o sol nascesse...

João acordou com a polícia em sua casa.

Foi preso... Julgado e condenado.

Clarisse sofreu muito...

Mas jamais se arrependeu...

Não poderia viver com aquele segredo.

Vive hoje no mesmo local...

Com os filhos já crescidos...

Que lhe ajudam a tocar a propriedade.

E com a consciência tranqüila.

Pode o tempo passar...

Pode o mal por um tempo liderar...

Mas a verdade há de sempre aparecer...

E a honestidade sempre vencer.

A LUA não fala... Observa...

Vai e volta... Seguindo sua órbita.

Mas o coração humano...

Reage de maneira incompreensível...

Quando a paixão comando o homem.

E como profetizou Manuel...

A LUA por ele testemunhou.

Hoje ele lá do céu...

Sabe que a verdade triunfou.

 


 

05/07/04
 

História verídica contada por antigos da região.

 



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