A força do vento
Leva-me para o mundo
Igual folha
Trazida do outono.
Transito na mata
Nos pastos e rios
E sinto no corpo
Ardentes arrepios.
A voar como pássaro
Alcanço colinas
Nas serras entrevejo
Entre rochas a neblina.
Minha aterrissagem
Na terra é viagem
Levada pelas pernas
Passeio entre árvores
De florestas eternas.
Ouço o som
Da água que desce a ladeira
Formando-se em formosa cachoeira.
Ouço o som
Das andorinhas cantantes
Das estações migrantes.
Ouço o som
Do tucano a chilrar.
Das folhas secas
Pisadas pelas patas
Do Rei das matas
Que inda há na minha terra.
E a noite
No leito do casebre silencioso
Ouço do leão o rugido
Por ter o estrondeante trovão ouvido
Anunciando vendaval
Seguido de forte temporal
Procurando o perigoso animal
Um lugar para lhe servir de abrigo.