Era uma caneta
pequena...
Leve e sem valor.
Mas uma caneta
serena...
Sensível... Contava
o amor.
Era uma caneta
elegante...
Charmosa e
prateada.
Levava os dedos
avante...
Descrevendo o que
brilhava.
A caneta era
rápida...
Bordava palavras
etéreas.
A caneta tinha
prática...
Rodopiava grifando
esferas.
Caneta no papel
escrevia...
Rabiscando
fantasias...
Não se dava por
vencida...
Grifava o que
queria.
Escreveu sobre o
mar...
Sobre a lua e o
sol...
Sobre ondas a
espraiar...
Sobre rochedos e
sobre atol.
A mão nem
vacilava...
Enquanto a caneta
passeava...
Esparramando sua
lava...
Na cor mais
comum... Azulada.
Escreveu sobre a
areia...
Sobre ondas e as
conchas...
Sobre histórias de
sereias...
Sobre jovens sob a
prancha.
Sobre tudo ela
pregou.
Sobre a maré
alta... E quando baixou.
Sobre o que
trouxe... E o que levou.
E a caneta só
parou...
Quando sua tinta
secou.

07/03/2005
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